26 novembro, 2011






Violência contra crianças e adolescentes
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http://www.observatoriodainfancia.com.br/article.php3?id_article=167



Dr. Lauro Monteiro



Nos últimos 25 anos fiz inúmeras palestras e entrevistas para a mídia. As perguntas mais freqüentes, feitas nestas ocasiões, são resumidas e reproduzidas, abaixo, junto com as respostas dadas. Minha expectativa é que esta seção possa fornecer subsídios para todos aqueles que atuam na defesa dos direitos de crianças e adolescentes.


Por que pais maltratam filhos?
Eu diria: antes de tudo por hábito - culturalmente aceito há séculos. É comum pais afirmarem que apanharam de seus pais e são felizes. A eles dizemos que as coisas mudaram e que, hoje, devemos buscar outras formas de educar os filhos. Educá-los e estabelecer limites, com segurança, com autoridade, mas sem autoritarismo, com firmeza, mas com carinho e afeto. Nunca com castigo físico. A violência física contra crianças é sempre uma covardia. O maltrato, em qualquer forma, é sempre um abuso do poder do mais forte contra o mais fraco. Afinal, a criança é frágil, em desenvolvimento, e totalmente dependente física e afetivamente dos seus pais. Nesse sentido, acredito que a palmada se insira como uma forma de reconhecimento da insegurança, da fraqueza, da incompetência, dos pais para educar seus filhos, necessitando usar a força física. Não podemos esquecer também do modelo de violência que transmitimos e perpetuamos nas relações em família, quando estabelecemos limites com violência. Os filhos aprendem a solução de conflitos pela força - e tenderão a reproduzir esse modelo não só junto às suas famílias, mas em todas as relações interpessoais, na rua ou no trabalho. Inúmeros fatores ajudam a precipitar a violência de pais contra filhos: o alcoolismo e o uso de outras drogas, a miséria, o desemprego, a baixa auto-estima, problemas psicológicos e psiquiátricos. Nesse entendimento, achamos que pais que maltratam seus filhos devem ser orientados sempre e tratados e punidos, se necessário.

Como e por que ocorre o abuso sexual?
O abuso sexual é freqüente e ocorre em todas as classes sociais e estratos econômicos, em todos os países do mundo, bem como as outras formas de maus-tratos, o físico, o psicológico e a negligência. O abusador sexual, ou seja, aquele que se utiliza de uma criança ou adolescente para sua satisfação sexual, é, antes de tudo, um doente. À sociedade, porém, aparenta freqüentemente ser um indivíduo normal. O abuso sexual intrafamiliar inicia-se geralmente muito cedo, quando a criança tem cerca de cinco anos, e é um ato progressivo, um misto de carinho e afagos, com ameaças - não conte nada à mamãe, você é a filha de que mais gosto, você é minha preferida, ou, não conte para ninguém, é um segredo nosso, ou, ainda, se falar para sua mãe, ela vai te castigar e botar você na rua. Com medo e remorso, mas também com prazer, a criança vai aceitando a relação com o pai agressor. Sim, porque na maioria das vezes, o abuso sexual é praticado pelo pai biológico, contra a filha - e às vezes contra o filho. É uma situação patológica de toda a família. Progressiva, pode chegar, na adolescência, à penetração vaginal e à gravidez. Raramente é acompanhada de violência física, ou deixa marcas evidentes. Contudo, as conseqüências para a vida social e sexual da criança serão sérias. O abuso sexual intrafamiliar é diferente da exploração sexual de crianças e adolescentes, situação em que o comércio está envolvido. E é sempre um ato de criminosos contra crianças ou adolescentes, que não têm outra opção. Frequentemente o abusador sexual de crianças e adolescentes é um pedófilo. A pedofilia é um distúrbio do desenvolvimento psicológico e sexual, que leva indivíduos, aparentemente normais, a buscarem de forma compulsiva e obsessiva o prazer sexual com crianças e adolescentes. As consequências do abuso sexual para crianças e adolescentes são graves, às vezes com repercussões para toda a vida. O pedófilo deve portanto ser excluído do convívio social, enquanto é submetido a tratamento. As vítimas devem ser apoiadas pela família e por profissionais especializados. O primeiro passo para combater o abuso sexual é a sociedade ser informada sobre a sua frequência, crianças serem precocemente informadas sobre seu próprio corpo e se o abuso sexual ocorrer, nosso conselho para os pais é: "acredite no que lhe diz seu filho, por mais absurdo que lhe pareça". A auto-estima preservada e confiança nos pais, podem impedir a maioria das situações de abuso sexual
abusador sexual na família quase sempre é o pai biológico, que age contra a filha.

Normalmente, em que idade a criança é mais maltratada?
Antes dos cinco anos, caracterizando bem o ato como uma demonstração de covardia.


Quais os mais freqüentes casos de maus-tratos contra crianças?
Nos hospitais, as situações mais encontradas são marcas na pele, de lesões provocadas por murros, tapas, surras de chicotes, fios, vara, queimaduras - muito freqüentes - por cigarro, ferro elétrico, água fervendo, objetos aquecidos. Também comuns são as fraturas de ossos longos dos membros superiores e inferiores, de crânio, de costelas e clavículas. Ocorrem ainda lesões de vísceras, como ruptura de fígado, baço ou intestinos. A morte por maus-tratos praticados pelos próprios pais, nos Estados Unidos, acontece, segundo estatísticas locais, em mais de duas mil crianças por ano. Aliás, as estatísticas americanas mostram que, anualmente, são registrados cerca de 1,5 milhão de casos de maus-tratos contra crianças e adolescentes, na família. Os números vão além: mostram que 300 mil crianças e adolescentes sofrem abusos sexuais, entre os quais, quatro mil são de incestos de pais com filhas. Acredita-se que, para cada 20 casos de violência, só um é notificado. No Brasil, o trabalho realizado em vários estados, por órgãos do Governo e organizações não-governamentais - vem demonstrando que a violência doméstica aqui é tão freqüente quanto nos Estados Unidos ou em qualquer país do mundo.


Didaticamente, quais e como são as formas mais comuns de maus-tratos?
São formas de maus-tratos: Físicos - uso de força física de forma intencional, não acidental, ou os atos de omissão intencionais, não-acidentais, praticados por parte dos pais ou responsáveis pela criança ou pelo adolescente, com o objetivo de ferir, danificar ou destruir esta criança ou o adolescente, deixando ou não marcas evidentes. Psicológicos - rejeição, depreciação, discriminação, desrespeito, utilização da criança como objeto para atender a necessidades psicológicas de adultos. Pela sutileza do ato e pela falta de evidências imediatas, este tipo de violência é um dos mais difíceis de caracterizar e conceituar, apesar de extremamente freqüente. Cobranças e punições exageradas são formas de maus-tratos psicológicos que podem trazer graves danos ao desenvolvimento psicológico, físico, sexual e social da criança. Abuso sexual - situação em que criança ou adolescente é usado para gratificação sexual de adulto ou adolescente mais velho, baseado em uma relação de poder. Inclui manipulação da genitália, mama ou ânus, exploração sexual, voyeurismo, pornografia e exibicionismo - incluindo telefonemas eróticos - e o ato sexual com ou sem penetração, com ou sem violência. Síndrome de Münchausen - situações em que pais, com objetivos de auferir lucro ou ter alguma outra vantagem, simulam em seus filhos, de forma habilidosa, ardilosa e verossímil, sinais e sintomas de doenças. Nesses casos, levam essas crianças a hospitais e, freqüentemente, elas são submetidas aos mais complexos exames para buscar o diagnóstico. Exemplifico com um caso que vivi no Hospital Souza Aguiar. A mãe afirmava que a filha chorava lágrimas com sangue - e nada se encontrava nos exames. Foi levada para outros hospitais especializados, com a mãe sempre repetindo que a criança estava com sangue nos olhos. E denunciava que não conseguíamos resolver o problema. Certa vez, porém, vimos que, durante a noite, a mãe furava o próprio dedo e colocava o sangue no olho da criança - e imediatamente chamava a enfermagem. Freqüentes são os casos de pais que chegam aos hospitais com filhos em coma, muitas vezes consecutivas. Acaba-se descobrindo que dão barbitúricos ou outros sedativos em grandes doses para as crianças. Esses adultos são pessoas neuróticas ou com graves problemas mentais, que precisam ser identificadas e tratadas. O nome da síndrome vem da literatura, em que o personagem, o barão de Münchausen, criava histórias fantasiosas, extremamente detalhadas, e todos acreditavam nelas. Esse quadro foi inicialmente descrito em adultos, que criavam doenças em si próprios. Posteriormente, em 1977, Meadow descreveu a situação em que pais com desordens psiquiátricas produziam nos filhos o mesmo quadro. Daí a denominação Síndrome de Münchausen by proxi, ou por procuração. Examinei, certa vez, uma adolescente de quatorze ou quinze anos com uma cicatriz de cirurgia de apendicectomia que não cicatrizava. Conversamos e ela contou-me que estava retirando os pontos com seus dedos porque não queria ir para casa. Prolongava sua estadia no hospital. Síndrome do bebê sacudido (Shaken baby syndrome) - é outra situação de maltrato em que uma criança, geralmente um bebê, é sacudida, na maioria das vezes pelos próprios pais, causando hemorragias intracranianas e intra-oculares que podem levar à morte ou deixar graves seqüelas, que muitas vezes só serão detectadas ao longo da vida, em razão de distúrbios no aprendizado ou no comportamento. De diagnóstico difícil, obriga o profissional de saúde a estar informado sobre sua grande freqüência e sobre a necessidade de anamnese bem completa, com exame obrigatório de fundo de olho e ressonância magnética para o diagnóstico de micro-hemorragias cerebrais. Todos se lembram de um caso recente que abalou todo o mundo, do bebê que morreu com hemorragia cerebral em conseqüência do shaken que teria sido infringido por sua baby sitter, uma jovem inglesa que estava estudando nos Estados Unidos. Os pais da criança, ambos médicos, trabalhavam o dia inteiro e deixavam seu filho com a babá. Ela foi presa, acusada de homicídio, condenada num primeiro julgamento e, paradoxalmente, libertada em outro seguinte, após 279 dias de detenção.

Em que classes sociais esses casos de maus-tratos mais ocorrem, no Brasil?
A literatura mundial e as pesquisas divulgadas em congressos internacionais mostram que todas as formas de maus-tratos ocorrem em todo o mundo, em todas as classes sociais. No Brasil, quase não temos estatísticas. É necessário analisar essa pergunta em relação a cada tipo de maus-tratos. Os casos de maus-tratos físicos e de negligência são mais denunciados nas classes mais pobres. Isso não significa, em absoluto, que pobre seja mais violento, mas sim que miséria, promiscuidade, pobreza absoluta são fatores desencadeantes da violência. Como vivem em comunidades, o fato torna-se conhecido por todos e é mais fácil que alguém denuncie. A classe média, morando em apartamentos, consegue mascarar e esconder esse tipo de maus-tratos. A própria Abrapia, quando recebe alguma denúncia, tem dificuldade de chegar a esses pais de classe média, com seus técnicos sendo barrados pelos porteiros dos condomínios. E, quando algum desses pais chega à Abrapia, já vem acompanhado por seu advogado. O abuso sexual é freqüente em todas as classes sociais, em todo o mundo. O muro do silêncio, nessas situações, é mais difícil de ser rompido, principalmente nas classes mais elevadas. O pior é que muitos acreditam que entre nós brasileiros não ocorrem abusos sexuais em família. A propósito, lembro-me de um pediatra meu amigo, com uma grande clínica no Rio, que me disse um dia: - Lauro, não tenho isso em meu consultório. Também um psiquiatra, conhecido meu, acredita que haja exagero nas denúncias, nos Estados Unidos. Realmente, o americano chegou ao nível de tamanha preocupação com o abuso sexual que podemos questionar se isso não leva a um distanciamento do tão necessário contato físico entre pais e filhos. São tão freqüentes as notificações que já existem até instituições de proteção a vítimas das denúncias de abusos sexuais e outros - VOCAL-Victims of Child Abuse Laws. Não há por que sermos tão diferentes dos outros países. Bons exemplos da universalidade do problema são três filmes estrangeiros, exibidos no Rio em 1999, que tinham suas tramas girando em torno do abuso sexual - o dinamarquês Festa de Família (Festen, direção de Thomas Vinterberg), o americano A Felicidade (Happiness, de Todd Solondz) e o inglês Zona de Conflito (The war zone, de Tim Roth). No primeiro, o clímax se concentra no filho mais velho, que, durante a festa em que o pai comemorava 60 anos de idade, denuncia o patriarca como tendo sido um abusador dele e da irmã, morta por suicídio, com o conhecimento da mãe, omissa. O filme americano retrata as atividades pedófilas de um médico psicanalista, famoso e aparentemente normal, em New Jersey, que compulsivamente abusava dos colegas de colégio do filho de dez anos. Sua família, muito bem inserida no american way of life, de nada desconfiava. Zona de Conflito trata com densidade da relação incestuosa entre o pai e a filha adolescente, em uma família de classe média inglesa, aparentemente normal e feliz. Habitualmente, quando falamos em abuso sexual contra crianças, associamos o caso a um psicopata ou a um pedófilo. Na maioria das vezes, porém, isso ocorre com homens comuns, que agem normalmente em sociedade, mas em casa mostram-se doentes, deprimidos, têm dificuldades nas atividades sexuais, neuróticos que acabam encontrando nas filhas a relação que lhes preenche o vazio afetivo. Essa situação é muito comum. Até porque, quando a sociedade ainda não estava organizada nos padrões atuais, a relação endogâmica era aceita. Hoje, proibido, o incesto é um tabu não respeitado por muitos. Abuso psicológico - é provocado por pais, professores, pediatras, pessoas de convívio íntimo com crianças. Pode ser observado, claramente, em todas as classes sociais. No Brasil, alia-se ao alto índice de desinformação, à falta de pesquisas e estatísticas sobre a vida intrafamiliar. Por desconhecimento e preconceito, as classes mais elevadas da população tendem a acreditar que a violência contra crianças e adolescentes dentro de casa só acontece com miseráveis ou em outros países. Atualmente, a grave situação da falta de trabalho e de emprego no Brasil atinge a todas as classes sociais. O desemprego, ou o medo de perder o trabalho, são fatores precipitantes de maus-tratos, em função de um estado de ansiedade, depressão e baixa auto-estima. As pessoas bebem, perdem o autocontrole e agridem. Costumo dizer que a diferença é apenas entre o uísque da classe média e a cachaça da maior parte da população.

Os pais são punidos?
Deve-se considerar que o objetivo é, antes de tudo, proteger a criança e reinseri-la na família tratada. Após o diagnóstico, a Abrapia encaminha as crianças e os pais para tratamento. Mas, com toda certeza, alguns pais deveriam ser julgados e receber a aplicação das penalidades previstas na Lei. No entanto, infelizmente, isso é raro. Uma pesquisa da Universidade Popular da Baixada, patrocinada pelo Ministério da Justiça, analisou os 2.217 processos relativos à violência e maus-tratos nos dez maiores municípios do estado do Rio de Janeiro, no ano de 1997. O maior número de processos, 1.221, foi encontrado no Rio; seguido de Campos, com 219; Nova Iguaçu, com 186; São Gonçalo, com 130 e Duque de Caxias, com 97. A lamentar, o fato de que, dos 2.217 processos, só 19,8% estavam finalizados com sentença. Quanto à decisão judicial em relação ao agressor, em 49% dos casos não houve sentença e, em 23,6%, não houve registro (sic). Apenas em 15,1% houve punição para o agressor, que foi desde uma simples advertência até a suspensão ou destituição do pátrio poder. Especificamente em relação ao abuso sexual, houve 257 processos, sendo 143 do município do Rio de Janeiro. Também no município do Rio, no item Decisão judicial em relação ao agressor, em 46,7% dos casos não houve sentença (sic) e em 26,8% não houve registro (sic). Só houve algum tipo de punição, também de advertência até a perda do pátrio poder, em apenas 8,9% dos casos. Essa pesquisa alerta para dois pontos em especial: são poucos os casos de violência dos pais contra os filhos que chegam à Justiça, e raríssimos são os pais que recebem alguma punição, além do inexplicável número de casos sem registro ou sem sentença, segundo os resultados da pesquisa. As maiores dificuldades em se punir legalmente e tratar o agressor, ocorrem nos caos de abuso sexual. Frequentemente pais não acreditam nos filhos, policiais desinformados não crêem nos pais e a justiça, por falta de provas físicas (só 30% dos casos de abuso sexual deixam marcas evidentes), não pune o pedófilo, que na maioria das vezes segue seu caminho de predador de crianças por toda a vida.

Quem deve denunciar os maus-tratos, e a quem?
Pelo Artigo 13 do Estatuto da Criança e do Adolescente-ECA, "os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais". As autoridades que podem receber as denúncias, além dos Conselhos Tutelares, são: o Juiz da Infância e da Juventude (antigo Juiz de Menores), a polícia, o Promotor de Justiça da Infância e da Juventude, os Centros de Defesa da Criança e do Adolescente e os Programas SOS-Criança. Essas denúncias podem ser feitas por qualquer cidadão, mas são obrigatórias para alguns profissionais. A esse respeito, o Artigo 245 do ECA prevê punições: "Deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente". A penalidade para a omissão é de "multa de 3 a 20 salários mínimos, aplicando-se o dobro em caso de reincidência". O Código Penal prevê outras punições.

Com sua experiência de 35 anos à frente do Serviço de Pediatria do Hospital Municipal Souza Aguiar, 18 anos na Abrapia e outros quarenta em consultório pediátrico, deve ter muitos casos para contar. Quais os que mais o impressionou?
A violência, em todas as suas formas, é para mim sempre impressionante. Não me conformo em ver nos hospitais de emergência, em grande quantidade, crianças e adolescentes atropelados em portas de escolas, vítimas de acidentes de trânsito e de quedas, muitas vezes evitáveis, ou de intoxicações diversas. O problema é saber quais dessas situações poderiam ter sido prevenidas e quais delas foram intencionais. Voltando à violência de pais contra filhos, e respondendo à pergunta, vou citar alguns casos que mais me marcaram. Evidentemente, os piores foram aqueles que chegaram à morte. Lembro-me do Willian, um menino de cerca de dois anos de idade, que chegou morto à sala de emergência, numa manhã de sábado. Apresentava inúmeros sinais externos de violência e fratura do crânio. A pessoa que o levou era uma mulher de cerca de 30 anos, mãe substituta. Ela deitava-se sobre o corpo do menino e chorava, gritando: "O que fizeram com você, Willian? Quem fez isso? Vou me vingar." Pouco depois, confessou que havia torturado o garoto durante dias, como represália pelo fato de a mãe biológica não estar mandando regularmente a importância combinada para a manutenção do menino. Ela foi presa e condenada: pena máxima, por homicídio doloso. Outra criança que morreu, com cerca de um ano de idade, encontrei na emergência em um respirador, com inúmeras fraturas de crânio. A mãe, tranqüila e às vezes até dormindo ao lado da criança, informou que a encontrou caída, junto à cama, quando chegou em casa. O pai estava lá. A criança havia sido agredida violentamente na cabeça, com algum instrumento. Os casos que chegam a um hospital público são sempre de grande violência. Uma mãe colocou a mão da criança em panela com água fervendo, causando queimaduras de segundo grau profundo, queimadura em luva, típica de maus-tratos físicos. Outra queimou a boca do filho com uma colher aquecida, porque ele dizia palavrões. Outros pais colocaram a filha em uma bacia com água quente para castigá-la porque não controlava oesfíncterurinário à noite. Outros, queimaram o períneo da filha com objeto aquecido porque ela se masturbava. Ou queimaram a mão de uma menina na prancha do fogão, ou colocaram um bebê sentado na frigideira com óleo fervendo. São todos exemplos de casos graves que chegam aos hospitais. Mas quantas crianças são maltratadas e nem sequer recebem atendimento? Os casos levados ao SOS Criança da Abrapia são menos graves, permitindo uma ação preventiva mais eficaz. Em relação à negligência, o que mais me impressiona são as situações de crianças deixadas sozinhas em casa - que se intoxicam, sofrem quedas e, às vezes, morrem ou ficam mutiladas em conseqüência de incêndio em casa, com graves queimaduras, ou quedas de apartamentos altos. O abuso sexual, quando chega ao hospital, é sempre muito grave, com lesões graves de genitália e ânus. Os casos levados freqüentemente à Abrapia apresentam menores conseqüências físicas, sem marcas evidentes e exigindo para o diagnóstico a aplicação de técnicas sofisticadas de revelação do abuso sexual na família. Maus-tratos e negligência de pais contra filhos continuam a ocorrer em todos os países do mundo. A literatura científica está cheia de casos quase inacreditáveis: bebês colocados em forno de microondas, ou mortos por aspiração de pimenta em pó colocada pelos pais nas suas bocas, ou assassinados por asfixia por travesseiro. Recordo-me que, certa vez, fiz uma conferência sobre violência doméstica em um congresso internacional de cirurgia pediátrica, no Rio. Após minha exposição, o presidente do congresso, um médico suíço, parabenizou-me, mas disse que já conhecia todas as situações que eu havia apresentado. Na sua terra também ocorria o mesmo. E citou casos que não conhecemos pessoalmente, como colocar uma criança, para castigá-la, em um armário fechado, ou para fora de casa, na neve. Efetivamente, o que mais me impressiona não são os casos extremos, exemplares, que citamos. O pior é saber que a violência de pais e parentes contra crianças que deles dependem totalmente continua a existir, em todas as suas formas, com enorme freqüência, em todos os países do mundo. Por analogia com as estatísticas americanas, pode-se calcular que cerca de 40 mil crianças e adolescentes são severamente maltratados pelos seus responsáveis, todos os anos, no Rio de Janeiro e no Brasil, no mínimo 600 mil ao ano. Dessas, 1800 (0,3%) morrem. Lamentavelmente, poucos são os casos notificados.

Qual seu conselho para os pais? Não passar da palmada?
Sou contra qualquer tipo de violência. Muitos pais batem em seus filhos acreditando que seja a única forma de educá-los. Discordo. Bater em uma criança é sempre ato de covardia, é um abuso do mais forte contra o mais fraco. Devemos buscar outras formas de educar filhos, sem castigos físicos, sem maus-tratos psicológicos. Os tempos mudaram. As crianças devem ter limites bem estabelecidos, com firmeza, pelos pais. A insegurança dos pais, a falta de atenção e o descontrole pessoal são as principais causas da opção do castigo físico como forma pedagógica. Estou certo de que até a palmada, culturalmente aceita por muitos, é dispensável. De toda forma, eu não buscaria transmitir sentimentos de culpa para os pais. Ser pai é uma tarefa extremamente difícil, que exige um treino contínuo e perseverante. Aliás, como dizia Winnicott, a vida é essencialmente difícil de ser vivida por todos, e os pais devem procurar ser suficientemente bons para seus filhos - nem permissivos, nem agressivos (Mother good enough, de Winnicott).


Autoria do texto: Dr. Lauro Monteiro- Leia estas respostas na íntegra e outras importantes informações do Dr. Lauro Monteiro em http://www.observatoriodainfancia.com.br




Não grite, não agrida, não humilhe seus filhos.



Mesmo que tenha razões para estar nervoso ou irritado, busque acalmar-se. Eduque com amor.


Momento da linda poesia de Carlos Drumond de Andrade


Procura da Poesia


Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.

As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de descrevê-los.

Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.



É Preciso Saber Viver


Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco
Ou morrer na solidão
É preciso ter cuidado
Pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver
Toda pedra do caminho
Você pode retirar
Numa flor que tem espinhos
Você pode se arranhar
Se o bem e o mal existem
Você pode escolher
É preciso saber viver
É preciso saber viver
É preciso saber viver
É preciso saber viver
Saber viver, saber viver!


Música -composição: Erasmo Carlos / Roberto Carlos



Mensagem de fortalecimento




Quanto Puderes

Quanto puderes, não te afastes do lar,
ainda mesmo quando o lar te pareça
inquietante fornalha de fogo e aflição.

Quanto te seja possível,
suporta a esposa incompreensiva e exigente,
ainda mesmo quando surja aos teus olhos
por empecilho à felicidade.

Quanto estiver ao teu alcance,
tolera o companheiro áspero ou indiferente,
ainda mesmo quando compareça ao teu lado,
por adversário de tuas melhores esperanças.

Quanto puderes,
não abandones o filho impermeável
aos teus bons exemplos e aos teus
sadios conselhos, ainda mesmo quando
se te afigure acabado modelo de ingratidão.

Quanto te seja possível,
suporta o irmão que se fez cego e surdo
aos teus mais elevados testemunhos no bem,
ainda mesmo quando se destaque
por inexcedível representante do egoísmo e da vaidade.

Quanto estiver ao teu alcance,
tolera o chefe atrabiliário, o colega leviano,
o parente desagradável, ou o amigo menos simpático,
ainda mesmo quando escarneçam
e tuas melhores aspirações.

Apaga a fogueira da impulsividade
que nos impele aos atos impensados ou à
queixa descabida e avancemos para
diante arrimados à tolerância porque
se hoje não conseguimos realizar a tarefa
que o Senhor nos confiou, a ela tornaremos
amanhã com maiores dificuldades para
a necessária recapitulação.

Não vale a fuga que complica os problemas,
ao invés de simplificá-los.

Aceitemos o combate em nós mesmos,
reconhecendo que a disciplina antecede a espontaneidade.
Não há purificação sem burilamento,
como não há metal acrisolado sem cadinho esfogueante.

A educação é obra de sacrifício no espaço
e no tempo, e atendendo à Divina Sabedoria,
- que jamais nos situa uns à frente dos outros
sem finalidade de serviço e reajustamento
para a vitória do amor - ,
amemos nossas cruzes por mais pesadas
e espinhosas que sejam, nelas recebendo
as nossas mais altas e mais belas lições.


Emmanuel
Livro Coragem-Francisco Cândido Xavier-Autores Diversos-Editora CEC

22 novembro, 2011

Dia 22 de novembro - Dia do Músico




Parabéns a todos os músicos!





João Carlos Martins
Grande exemplo de talento, genialidade, força e superação






Biografia de João Carlos Martins para o Museu da Televisão Brasileira



O nome completo do maestro João Carlos Martins é João Carlos Gandra da Silva Martins. Ele nasceu em 25 de junho de 1940, em São Paulo.
Começou seus estudos de música ainda menino, quando seu pai comprou um piano para a casa, com a professora Aida de Vuono. Quando ele completou oito anos, seu pai o inscreveu em um concurso para executar obras de Bach. Ele venceu. Foi o primeiro desafio que venceu, em sua vida, que foi cheia deles. Vários outros estavam por vir. Começou a estudar no Liceu Pasteur. Aos onze anos já estudava seis horas de piano por dia. No Liceu Pasteur, teve aula de piano com um professor russo, chamado José Kliass. E o garoto estudava muito, buscando a perfeição.

Inscreveu-se num concurso da Sociedade Brito de São Petersburgo e tirou o primeiro lugar. Começou a dar concertos e ganhou o aplauso de toda a crítica nacional e internacional. Foi então escolhido no Festival Casals, dentre inúmeros candidatos das três Américas, para dar o Recital Prêmio em Washington. Aos vinte anos, tocou no Carnegie Hall, patrocinado por Eleonor Roosevelt. Tocou com as maiores orquestras americanas e gravou a obra completa de Bach, para piano. Inaugurou o Glennn Gould Memorial em Toronto.

Mas, eis que a vida coloca a sua frente um grande obstáculo. Teve um nervo rompido e perdeu o movimento da mão direita, em um acidente em um jogo de futebol em Nova York. Ficou privado de ter contato com o piano. Fez inúmeros tratamentos e recuperou os movimentos, mas foi acometido de uma doença chamada: Contratura de Dupuytren. Novamente precisou parar de tocar. Desta vez, acreditou que seria para sempre. . Mas seu grande amor e seu grande esforço, o fizeram voltar a tocar. Criou um estilo todo seu, de aproveitar ao máximo a beleza das peças clássicas. Utilizava mais a mão esquerda e obteve extremo sucesso com essa atitude. Mas, eis que novamente o destino lhe pega uma peça. Após realizar um concerto em Sofia, na Bulgária, é assaltado e leva um golpe na cabeça, que lhe faz perder novamente o movimento das mãos. Quando se esforçava, sentia dores violentas, principalmente na mão esquerda. Aí perdeu anos de sua vida em tratamentos, em treinamentos, até que novamente achou uma maneira de tocar, utilizando só os dedos que mantinham os movimentos em cada mão. Percebeu, porém, que já não tinha a maestria e nem tirava a beleza das peças que executava.

Em 2003, quando achava que tudo estava perdido para ele, teve um sonho com o importante maestro brasileiro Eliazar de Carvalho, que lhe dizia: "Vem pra cá, amigo, que eu vou lhe ensinar a reger" E João Carlos Martins resolveu ser maestro. Começou uma nova vida. E se encantou com seu novo mundo.
Incapaz de segurar a batuta e virar as páginas da partitura, ele decora toda a composição minuciosamente, num esforço colossal e único, mesmo entre os grandes maestros. E então diz: A MÚSICA VENCEU!

Elogiado e prestigiado por todos, o maestro João Carlos Martins já esteve no programa: " Roda Viva", da TV Cultura, onde foi aclamado. Já esteve em várias partes do mundo, para reger orquestras, inclusive em Londres, onde regeu English Chamber Orchestra, uma das maiores orquestras de câmara.
Além disso na Faculdade de Música FAAM, dá aulas de introdução à música para jovens carentes.


O grande maestro João Carlos Martins foi homenageado pela Escola de Samba Vai Vai, de São Paulo, que foi a vencedora do desfile, em 2011. O enredo era: " A MÚSICA VENCEU!".

Autoria do texto: http://www.museudatv.com.br/biografias
22 de novembro Dia do Músico




Parabéns a todos os músicos!






Ernesto Nazareth




Mário de Andrade assim definiu Nazareth: "compositor brasileiro dotado de uma extraordinária originalidade, porque transita com fôlego entre a música popular e erudita, fazendo-lhe a ponte, a união, o enlace".



Ernesto Júlio de Nazareth nasceu na cidade do Rio de Janeiro, aos 20 de março de 1863. Filho de Vasco Lourenço da Silva Nazareth, despachante aduaneiro, e Carolina Augusta da Cunha Nazareth, teve como local de nascimento a modesta casa de seus pais, situada num dos flancos do Morro do Nheco (depois chamado Morro do Pinto), entre os bairros de Santo Cristo e Cidade Nova. Ainda criança, começou a estudar piano com a mãe, excelente pianista. Já aos 10 anos, sofreu violenta concussão na cabeça, ao cair de uma árvore; isso deu início a uma série de problemas auditivos que o levariam, no correr dos anos, à quase completa surdez.




Em 1874, após o falecimento de Carolina Augusta, passou a receber lições de Eduardo Madeira, amigo da família, e mais tarde, de Lucien Lambert, afamado professor francês aqui radicado. Com o primeiro estudou cerca de ano e meio, com o segundo teve somente oito aulas. Depois disso, seguiu sozinho, fazendo-se praticamente autodidata. Quanto aos estudos propedêuticos, estes foram ministrados pelo padre Belmonte, no Colégio São Francisco de Paula, à Praça Tiradentes.



Em 1877, com a idade de 14 anos, compôs sua primeira música, a polca-lundu Você bem sabe , editada no ano seguinte pela Casa Arthur Napoleão & Miguèz, situada à Rua do Ouvidor, nº 89. Dois anos depois, já com as características do “tango brasileiro”, gênero que posteriormente consagraria o seu nome, teve publicada a polca Cruz, perigo!! , rapidamente popularizada.
Aos 8 de março de 1880, portanto doze dias antes de completar a idade de 17 anos, tomou parte de um recital no Salão do Clube Mozart; pode ter sido esta sua primeira apresentação pública, pois até o momento não se conhece outra com data mais antiga. Composta e impressa em 1881, a polca Não caio n'outra!!! tornou-se, pelo número de reedições, seu primeiro grande sucesso.




Em 1885, participou de concertos nos clubes Rio Comprido, Engenho Velho, Riachuelense do Engenho Novo e São Cristóvão. No ano seguinte, ainda tocou em mais um, o Rossini, à Praça Onze. Aos 14 de julho de 1886, na Igreja de São Francisco Xavier do Engenho Velho, casou-se com Theodora Amália Leal de Meirelles (1852/1929), que passou a assinar Theodora Amália Meirelles de Nazareth. Desta união nasceram Eulina (1887/1971), Diniz (1888/1983), Maria de Lourdes (1892/1917) e “Ernestinho” (1896/1962). Nesse tempo, já vivia da venda de suas composições, das aulas particulares de piano e de tocar em bailes, batizados e casamentos.




Em 1889, apareceu editada sua décima-terceira polca, Atrevidinha ; à mesma época compôs a quadrilha Chile-Brasil , que só veria publicada tempos depois (1897),. No ano de 1893, teve impressos pela primeira vez um “tango” e uma valsa: Brejeiro e Julita , respectivamente. Por volta de 1894, começou a trabalhar como pianista demonstrador da Casa Vieira Machado & Cia., à Rua dos Ourives (depois Rua Miguel Couto), nº 51. Brejeiro tornou-se o maior sucesso de Nazareth no século XIX; no mesmo período, a valsa Helena , primeiramente editada em 1896, também viria a se tornar a mais popular no seu gênero. Por iniciativa do Clube de São Cristóvão, apresentou-se em 1898 no Salão Nobre da Intendência da Guerra; desconhecem-se, contudo, a data exata e o programa executado. Já no ano seguinte, saiu a primeira edição de Turuna , “grande tango característico”.



Em 1901, Ernesto terminou Batuque , “tango característico”. Em 1903, compôs a valsa Coração que sente e, s ob os auspícios da Casa Edison, teve uma composição sua pela primeira vez registrada em disco: Está chumbado (zon-O-phone/X-1.055), gravada pela Banda do Corpo de Bombeiros sob a regência de Anacleto de Medeiros. No ano de 1904, conheceu o célebre pianista norte-americano Ernest Schelling; na época, comentou-se muito no meio musical carioca o fato de o ilustre estrangeiro ter retornado ao seu país levando bom número de composições do nosso artista. Em 1905, saiu em disco pela Casa Edison (Odeon) Brejeiro (“O sertanejo enamorado”), com letra de Catullo da Paixão Cearense e cantada por Mário Pinheiro. Este ano ainda viu as edições princeps dos “tangos” Escovado e Ferramenta ; na partitura desse último, logo abaixo do nome do autor, aparece o mais antigo registro do epíteto “rei do tango”. Pelo menos até o Natal de 1906, o compositor ainda se encontrava trabalhando na Casa Vieira Machado & Cia., à Rua do Ouvidor, nº 147 (novo endereço).




Em 1907, aos 44 anos, conseguiu emprego de 3º escriturário no Thezouro Nacional; entretanto, nesta atividade, única em sua vida sem qualquer relação com a música, ficou curtíssimo tempo, preferindo afastar-se antes mesmo de fazer as provas para a sua efetivação. No ano seguinte, passou a trabalhar como pianista demonstrador da Casa Mozart, de propriedade do amigo português Lino José Barbosa, situada à Avenida Central (depois Avenida Rio Branco), nº 127. Entre agosto e novembro, convidado pelo maestro Alberto Nepomuceno, apresentou-se por duas vezes na “Exposição Nacional”, evento realizado na Praia Vermelha em comemoração pelo centenário da “Abertura dos Portos”.



No dia 6 de junho de 1909, Nazareth tomou parte em um recital realizado no Instituto Nacional de Música, à época localizado na Rua Luís de Camões, no qual interpretou, de sua autoria, a gavota Corbeille de fleurs e o “tango característico” Batuque . Acompanhou, ainda, Heitor Villa-Lobos na peça Le cygne , de Saint-Saëns, para violoncelo e piano; esta pode ter sido a primeira apresentação pública de Villa-Lobos (que, na ocasião contava 22 anos de idade), pois até hoje não se conhece registro de outra em data anterior. Em 1910, começou a dividir suas atividades entre a Casa Mozart e a sala de espera do antigo Cinema Odeon, à Avenida Central, nº 137, esquina com Rua Sete de Setembro. Nesse mesmo ano, compôs e editou, por conta própria, o “tango” Odeon , dedicado à empresa proprietária do estabelecimento. Dois anos depois, saíram as primeiras edições do “tango” Carioca e da valsa Expansiva , sua peça mais conhecida no gênero. E ainda registrou em discos da Casa Edison (Odeon), acompanhado pelo flautista Pedro de Alcântara, seus “tangos” Odeon e Favorito , mais as polcas Linguagem do coração , de Callado, e Choro e poesia , do próprio Alcântara.



Em 1913 deixou o Odeon, continuando, porém, com seus afazeres junto à Casa Mozart. São desse ano, também, as edições do “tango característico” Batuque , dedicado ao maestro Henrique Oswald, e da valsa Confidências , dedicada ao poeta e trovador popular Catullo da Paixão Cearense. A polca Apanhei-te, cavaquinho!... , publicada em 1914, alcançaria retumbante sucesso; é da mesma época a edição de um catálogo da Casa Beethoven (Nascimento Silva & Cia.), situada à Rua do Ouvidor, nº 175, no qual constavam os títulos de 19 composições de Nazareth gravadas em rolos de pianola, confeccionados nos Estados Unidos da América.



Em 1917, retornou ao Cinema Odeon, agora exercendo também a função de pianista de uma pequena orquestra, na qual Villa-Lobos, acredita-se, tomava parte como violoncelista. No dia 1º de dezembro faleceu com 25 anos, em conseqüência de profunda anemia, sua filha Maria de Lourdes. Já no ano seguinte, saiu definitivamente do Odeon; é oportuno lembrar que em sua segunda temporada junto a esse estabelecimento, Nazareth conheceu Arthur Rubinstein, Darius Milhaud e Francisco Mignone. Em 1919, começou a trabalhar como pianista demonstrador da Casa Carlos Gomes, à Rua Gonçalves Dias, nº 75, de propriedade do também pianista e compositor Eduardo Souto. E dois anos depois, Villa-Lobos dedicou a ele a peça Choros nº 1 , para violão. Quanto ao “tango” O futurista , terminado e primeiramente editado em 1922, o autor procurou mostrar aos “modernistas” da época que “mesmo que uma música apresente dissonâncias, não precisa ser, necessariamente, desprovida de alguma beleza!...”




E aos 16 de dezembro, a convite de Luciano Gallet, interpretou no Instituto Nacional de Música, à Rua do Passeio, nº 98, seus “tangos” Brejeiro , Nenê , Bambino e Turuna . No final de 1925, deixou a Casa Carlos Gomes, passando a se dedicar aos preparativos de uma turnê por São Paulo. Em abril de 1926, partiu para a terra dos bandeirantes, vindo a se apresentar, inclusive, em suas mais importantes salas: Theatro Mvnicipal e Conservatório Dramático e Musical; seu recital no Theatro foi precedido de uma palestra de Mário de Andrade, na qual o eminente escritor e musicólogo paulistano dissertou sobre a obra do compositor carioca. Esteve ainda em Campinas, Sorocaba e Tatuí. Na ocasião, entusiasmado com as atenções a ele dispensadas, verdadeiramente consagratórias, tratou de ver publicados, entre outros títulos, os “tangos” D esengonçado , Paulicéa, como és formosa!... e Quebra-cabeças , mais as valsas Celestial , Dirce e Elegantíssima .
Onze meses depois, portanto em março de 1927, retornou ao Rio de Janeiro; trouxe consigo os manuscritos dos “tangos” Cruzeiro , Cubanos e Paraíso (estilo milonga). Nesse ano, também editou o “tango” Proeminente , dedicado ao pianista polonês Mieczyslaw (“Miécio”) Horszowski. No mês de dezembro de 1928, levando-se em conta a data da publicação de sua primeira música, Ernesto Nazareth completou cinqüenta anos de atividades artísticas. Aos cinco de maio de 1929, faleceu de causas naturais, aos 74 anos, sua esposa Theodora Amália. E entre o final desse mesmo ano e o princípio do seguinte, Ernesto ainda compôs três marchas carnavalescas: Exuberante , Crises em penca e Comigo é na madeira . Em maio de 1930, terminou aquela que seria a sua última composição: a valsa Resignação.



Em setembro, aceitando convite feito por Eduardo Souto, então diretor artístico da Odeon-Parlophon, gravou Apanhei-te, cavaquinho!, Escovado, Nenê e Turuna , sendo comercializado somente o disco que continha as duas primeiras músicas. No ano seguinte, apresentou-se em programas das rádios Sociedade do Rio de Janeiro (atual Rádio MEC) e Mayrink Veiga. Aos 5 de janeiro de 1932, deu recital somente de músicas suas no Studio Nicolas, à Rua Alcindo Guanabara, nº 55, 2º andar. Poucos dias depois, em companhia da filha Eulina e da amiga Maria Mercedes Mendes Teixeira, partiu de navio para o Rio Grande do Sul, vindo a se apresentar em Porto Alegre , Rosário e Sant'Anna do Livramento. Nessa ocasião, levava consigo sua última composição editada, Gaúcho , “tango brasileiro” oferecido “Ao Nobre Povo Gaúcho”. Encerrada a turnê, rumou para Montevidéu, capital do Uruguai, de onde embarcaria de volta ao Rio de Janeiro.
O compositor falecera com a idade de 70 anos, 10 meses e 10 dias. Ernesto Nazareth deixou para a posteridade 88 “tangos”, 41 valsas, 28 polcas e mais hinos, sambas, marchas, quadrilhas, “schottisches”, “fox-trots”, romances, entre outros gêneros, perfazendo um total de 212 composições de autoria confirmada

Fontes e autoria do texto: http://www.ernestonazareth.com.br - Luiz Antonio de Almeida
(Biógrafo de Ernesto Nazareth) E http://www.chiquinhagonzaga.com/nazareth/

20 novembro, 2011

"Aqui nestas terra, ocês que passou de branco, são tudo misturadinho!” – Sabedoria da Vovó Maria

Uma das maiores riquezas do Brasil é a diversidade da nação brasileira.
Brancos, negros e pardos. A miscigenação entre índios, negros e dos estrangeiros que desde da colonização vieram trazer a força do trabalho e a cultura em tradições, costumes que originaram cores e traços variados e belíssimos.


Não é difícil encontrarmos negros com olhos claros, brancos com cabelos crespos , mulatos (ou pardos) com cabelos lisos... A cor da pele miscigenada, os traços fisionômicos e físicos demonstram que os filhos desta Pátria amada, formam um maravilhoso jardim.


Refletindo sobre estes fatos, lembro de vovó Maria...
Nos ensinando a importância de nossa descendência afro-brasileira.


Quando a mulecada percebía que os primos ou os amiguinhos da escola, ou da rua eram mais clarinhos e ficavam implicando. Corríam para questionar a vovó, que sempre tinha um conselho repleto de sabedoria.


Vovó Maria tinha resposta prá tudo!
“Vovó a senhora é pretinha e eu sou o que? Sou marronzinho? Sou moreninho?
Vovó Maria sabia compreender a nossa inocência infantil e as dúvidas que já se despertavam nos nossos corações, como a busca da nossa identidade.


Porém, ela nos respondia, sem pressa alguma. E não adiantava ficarmos inquietos esperando a resposta.


Sentadinhos no chão, bem pertinho do seu banquinho preferido. Ela sempre dizia: “Calma meus netinho, vovó já responde ocês!”
Primeiro botava os menorzinhos desfrutando do seu colo, os mais grandinhos se agarravam à seu saiote... Era tão bom está ali com a vovózinha... A pergunta se dispersava na nossa mente, e perdia a relevância.


Mas, percebendo que para outros coraçõezinhos, está resposta significava a valorização das origens negras. Significava elevar a baixa auto-estima, por preconceitos que ela sabia que poderia nos magoar. Ela nos olhava repleta de amor e respondia bem devargarzinho, para que entendêssemos cada palavra.
Há! meus netinhos... Ocês pode até não ser como a vovó, assim tão pretinha... Mas, ocês têm ainda a lembrança da cor dos negro, na própria pele. Negros que deram seu suô, seu sangue por esta terra. Eles construíram muita coisa. Ocês não têm que ter vergonha, mas orgulho do passado, da história dos negro, da luta dos negro prá sobrevive às maldade de alguns branco sem alma, sem bondade no coração. Ocês hoje, graças a Zambi, não têm chibata, não têm corrente, não são arrancado e apartado dos braço da mamãe e dos papai... Muitos negro foram arrastado, de suas terra, trazido nos porão sujo dos navio, Muito morreu pelo caminho.
Aqui nesta terra, foram tudo forçado a trabalhar, sem direito, só tendo obrigação. O canto de lamento das senzala, era o choro da separação da nossa casa, da Àfrica... Mas, nós não deixamo que nossa alma fosse açoitada!
Na mente, nos cantos, na dança nas senzalas, nos cultuava nossa história. Na capoeira nós mostrava a esperteza e a inteligência dos negro! Fingindo aos olho dos sinhô dos escravo, que era só brincadeira.


A capoeira era prá fortalece as perna e os braço dos negro, para enfrentá os capataz e depois forma os Quilombo!
Os negro têm muita importância, meus netinho!


No passado os branco se ajunto com as índia, depois com as negra, foi tudo tendo filho de outras cor. Por isso não importa a cor da pele! O que importa é que ocês são tudo filho do mesmo papai do céu!
Então guardem prá sempre no coração: Aqui nestas terra, ocês que passou de branco, são tudo misturadinho!
Escravidão
No Brasil colonial, inicialmente os índios foram escravizados pelos portugueses. Depois, milhões de pessoas foram trazidas do continente africano na condição de escravos, isto é, na condição de ‘coisas”, de mercadorias compradas e vendidas.



O escravo, no entanto, não era uma ‘mercadoria” qualquer, pois tinha vida... e podia trabalhar, falar e pensar.

Os portugueses que vieram colonizar o Brasil, viam a terra como um meio de enriquecimento. Extraíam as riquezas para enviá-las a Portugal e para o resto da Europa. Vendiam suas mercadorias por preços baixos. Portanto, tinham de vendê-las em grande quantidade para obter lucros. Como adquirir grande quantidade de produtos? Utilizando a força de trabalho de outras pessoas, mas um trabalho que não precisasse ser pago. Mesmo vendendo mercadorias a preços baixos, teriam lucro porque o valor gasto na produção das mercadorias era baixíssimo. Bastava comprar um escravo para que, durante muito tempo, o valor empregado na compra fosse recuperado através do trabalho que ele podia realizar.

Para os portugueses e outros comerciantes europeus que negociavam com a colônia, a escravidao propocionava lucros ainda maiores; Vinham comprar os produtos e as riquezas do Brasil, vendiam na Europa por preços altos, obtendo muito lucro. Além dos produtos que iriam vender na Europa, levavam do Brasil mercadorias baratas, como o fumo e a cachaça, trocando-as na África por escravos. Ao voltar, vendiam as “peças” de escravos aos fazendeiros por preços elevados. Na África, o escravo era obtido em troca de bugigangas. No Brasil valia ouro!!
Dessa maneira, a escravidão estava integrada dentro do funcionamento do sistema colonial, constituindo a sua base de sustentação.
Escravizar interessava aos fazendeiros e aos comerciantes, pois dava lucro para ambos. Interessava aos reis de Portugal, pois a “mercadoria viva” significava rendimentos para a Coroa na forma de impostos.

Portugal poderia ter colonizado o Brasil sem a escravidão? Poderia. Mas a quantidade de riquezas extraídas teria sido menor. Nem todos os portugueses gostavam da ideia de vir para a colônia, um lugar dominado por florestas, animais selvagens e um clima muito quente. Se pessoas livres tivessem vindo trabalhar aqui, recebendo salários, isto significaria dinheiro circulando dentro da colônia, o que estimularia o seu desenvolvimento interno. Não era era exatamente o que Portugal desejava, mas apenas a escravidão seria a saída para explorar o Brasil sem investir aqui.
Em todo o período colonial, entraram no Brasil entre 3.300.000 a 3.600.000 negros. Após a chegada dos europeus na África, algumas tribos tornaram-se especialistas em caçar, vender e trocar prisioneiros com os comerciantes. Na África, havia muita guerra entre várias tribos. Aproveitando-se dissso, o traficante branco fazia “amizade” com certos grupos africanos, encomendando-lhes o aprisionamento de negros rivais para a escravidão..
Depois de aprisionados na África, os negros eram acorrentads e marcados com ferro em brasa. Aí, eram transportados para o Brasil nos chamados navios negreiros
Os principais lugares de embarque na África eram Angola, Guiné e Moçambique


No Brasil, os negros desembarcavam em Recife, Salvador e Rio de Janeiro.
O navio negreiro saía da àfrica com uns 600 escravos. Dentro do navio os traficantes formavam um grupo de uns doze homens brancos. Havia muito medo de os negros se revoltarem. Por isso, os escravos ficavam trancados no porão do navio
Na venda e na viagem para o Brasil, parentes e amigos eram separados. O espaço era pequeno e sem ventilação. O calor era insuportável. Além disso, a água era suja e faltavam alimentos para os escravos. Devido aos maus-tratos recebidos e às terríveis condições do transporte, aproximadamente 40% dos negros morriam durante a viagem. Por isso, os navios negreiros eram chamados de tumbeiros (palavra referente a tumba ou sepultura).
Era terrível o destino dos negros que sobreviviam à viagem no navio negreiro.Vendidos no próprio porto de desembarque em leilões de escravos, pelos comerciantes aos fazendeiros.
Eram levados principalmente para os engenhos nas fazendas de cana-de-açúcar, nas de fumo e de mandioca, para as áreas de mineração e também nas casas e nas cidades, os escravos trabalhavam e produziam. Sempre sob a fiscalização do feitor, o negro era obrigado a trabalhar, em média 15 horas por dia. Os colonos mais ricos, como o senhores de engenho eram donos de centenas deles. Como dizia o padre Antonil, a riqueza e poder de alguém, na colônia, eram medidos pelo número de escarvos que poderia possuir.


A violência da escravidão e da resistência negra
Era terrível o destino dos negros que sobreviviam à viagem no navio negreiro. Havia vários tipos de castigos e torturas: chicotadas, prisão em calabouço e pena de morte.
Os castigos impiedosos, o excesso de trabalho e a falta de alimentação acabavam destruindo rapidamente, a saúde do escravo. A maioria dos negros morria durante os cinco primeiros anos de vida.
De várias maneiras, os negros procuravam reagir contra a violência da escravidão. Muitos fugiam em busca de liberdade e fundavam comunidades para se protegerem das perseguições dos capitães-do-mato (homens violentos que capturavam escravos).
A história tradicional passava a ideia de que a escravidão do negro foi suave. Diziam que o negro era submisso e não reagia. Isso é totalmente falso, mentiroso.
A escravidão negra é uma história cheia de violência do senhor dos escravos. Cheia também de revoltas e de lutas do negro, que procurava a libertação.
As comunidades criadas pelos negros eram chamadas de quilombos.
Dos muitos quilombos criados pelos negros, o mais famoso e importante foi o Quilombo dos Palmares.
Zumbi foi o grande líder de Palmares
. Era ele quem comandava o povo negro nas suas lutas contra os ataques dos brancos. Corajoso e inteligente, a fama de Zumbi espalhou-se como lenda pelo Brasil Colônia. Os negros o consideravam invencível.

Fonte dos textos: Livros didáticos :FNDE-Ministério da Educação-Brasil Uma História em Construção. (José R. Macedo e Mariley W. Oliveira)/História & Consciência do Brasil-Ed. Saraiva-Gilberto Cotrim



20 de novembro - dia da Consciência Negra


Diga não ao preconceito e ao racismo!


Todos são iguais perante a Lei, sem distinção de qualquer natureza-Art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil- 1988




Uma das maiores riquezas do Brasil é a diversidade da nação brasileira. A etnia brasileira é formada basicamente pelo branco europeu, pelo índio, pelo negro e pela miscigenação desses três elementos. Descendentes de povos indígenas, colonos portugueses, escravos africanos e diversos grupos de imigrantes que se estabeleceram no Brasil, sobretudo entre 1820 e 1970. A maior parte dos imigrantes era de italianos e portugueses, mas houve significante presença de alemães, espanhóis, japoneses e sírio-libaneses.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) classifica o povo brasileiro entre cinco grupos: branco, preto, pardo, amarelo e indígena, baseado na cor da pele ou raça. Quem declara sua cor ou raça é o próprio entrevistado. O censo nacional de 2010 realizado pelo IBGE encontrou o Brasil sendo composto por 91 milhões de brancos, 82,2 milhões de pardos, 14,5 milhões de negros, 2,1 milhões de amarelos e 817 mil indígenas. Brancos, negros e pardos.


A miscigenação entre índios, negros e dos estrangeiros que desde da colonização vieram trazer a força do trabalho e a cultura em tradições e costumes. Deixaram de herança em seus descendentes , cores, traços belíssimos e variados. Não é difícil encontrarmos negros com olhos claros, brancos com cabelos crespos , mulatos (ou pardos) com cabelos lisos... A cor da pele miscigenada, os traços fisionômicos e físicos demonstram que os filhos desta Pátria amada, formam um maravilhoso jardim.

As contribuições dos africanos trazidos para o Brasil, de quem descendem os brasileiros de hoje, são de três ordens: econômica, demográfica e cultural. O Brasil, (Colônia, Império e República), teve historicamente, no aspecto legal, uma postura permissiva que atinge a população afro-descendente até hoje.

Nos últimos 50 anos, o Brasil ganhou novos dispositivos legais no combate à discriminação, à intolerância e ao preconceito por cor, raça, etnia, religião e origem nacional. Estes dispositivos surgem, sobretudo, a partir da Constituição de 1988, marco reconhecido no processo de redemocratização da sociedade brasileira. Após a Constituição da Republica Federativa de 1988, o Brasil, busca efetivar a condição de um Estado democrático de direito com ênfase na cidadania e na dignidade da pessoa humana.

Constituição da República Federativa do Brasil - 1988

CAPÍTULO I
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e
aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança, e à propriedade.

Duas das principais leis anti-discriminaçaão que marcam o Brasil pós-ditadura são as leis 7716/89 (Lei Caó) e 9459/97 (Lei Paim). Fonte:Cartilha do cidadão/ALERJ

A LEI Nº 7.716, DE 05 DE JANEIRO DE 1989 (LEI CAÓ) – Define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.

LEI Nº 9.459, DE 13 DE MAIO DE 1997 – Altera os arts. 1º e 20 da Lei 7.716, de 5 de Janeiro de 1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, e acrescenta parágrafo no art. 140 do decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. (Fonte: Fundação Palmares)




http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/datas/consciencianegra/home.html

A lei N.º 10.639, de 9 de janeiro de 2003, incluiu o dia 20 de novembro no calendário escolar, data em que comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negra.
A mesma lei também tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. Com isso, professores devem inserir em seus programas aulas sobre os seguintes temas: História da África e dos africanos, luta dos negros no Brasil, cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional.
Com a implementação dessa lei, o governo brasileiro espera contribuir para o resgate das contribuição dos povos negros nas áreas social, econômica e política ao longo da história do país.


A escolha dessa data não foi por acaso: em 20 de novembro de 1695, Zumbi - líder do Quilombo dos Palmares- foi morto em uma emboscada na Serra Dois Irmãos, em Pernambuco, após liderar uma resistência que culminou com o início da destruição do quilombo Palmares.


Então, comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra nessa data é uma forma de homenagear e manter viva em nossa memória essa figura histórica. Não somente a imagem do líder, como também sua importância na luta pela libertação dos escravos, concretizada em 1888.


Porém, hoje as estatísticas sobre os brasileiros ainda espelham desigualdades entre a população de brancos e a de pretos e pardos. Por isso, é importante conhecermos algumas informações sobre o assunto.


Fonte:http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/datas/consciencianegra/home.html-No IBGE Teen você vai encontrar algumas informações sobre o assunto, sendo algumas selecionadas da Síntese de Indicadores Sociais 2003, produzida pelo IBGE. Além dessas estatísticas, você também vai aprender um pouco sobre a importância de Zumbi dos Palmares e sobre os quilombos.

19 novembro, 2011

Certidão de Nascimento











Certidão de Nascimento


O que é?


A certidão de nascimento é o primeiro passo para o pleno exercício da cidadania. Ela comprova sua existência, seu local e data de nascimento, o nome dos seus pais e avós.
Sem esse documento, os cidadãos ficam privados de seus direitos mais fundamentais e não tem acesso aos programas sociais. Adultos, não podem obter a carteira de identidade, CPF e outros documentos.


Como fazer?
Tirar uma certidão de nascimento é um processo fácil, rápido e o ideal é que os bebês já saiam das maternidades com nome e sobrenome.
Se a criança nasceu em hospital ou maternidade, os pais recebem uma via da Declaração de Nascido Vivo (DN) que deve ser levada a um Cartório de Registro Civil. Se a criança nasceu em casa, os pais ou a pessoa responsável pelo registro podem ir direto a um cartório.
A certidão de nascimento pode ser feita em qualquer cartório, de preferência um que seja próximo ao local de nascimento. O prazo máximo é de 15 dias após o nascimento da criança, mas caso os pais morem a mais de 30 quilômetros do cartório mais próximo, o período aumenta para três meses após o nascimento. Se for a mãe a pessoa a registrar a criança, o prazo para declaração é prorrogado por 45 dias.
O registro deve ser feito pelo pai da criança. Caso o pai não possa, é a mãe quem deve realizar o registro. Veja a ordem de quem pode fazer o registro da criança:
1. Pai
2. Mãe
3. Parente mais próximo
4. Administradores do hospital onde nasceu a criança
5. Médicos e parteiras que assistiram o parto
Pessoa idônea da casa em que ocorreu o nascimento (se for fora da residência da mãe)
6. Encarregados da guarda da criança.

Documentos necessários
Se os pais da criança são casados, devem comparecer ao cartório também com a Certidão de Casamento e na companhia de duas testemunhas maiores de 21 anos. Se não forem casados, um deles ou os dois devem comparecer com carteira de identidade ou registro de nascimento, além de estar acompanhados de duas testemunhas maiores de 21 anos. Nesse caso, o pai só constará no Registro Civil de Nascimento se declarar a filiação paterna ou autorizá-la por escrito.
Caso os pais da criança tenham menos de 16 anos, eles devem ir a um cartório civil acompanhados dos avós da criança ou de um responsável com mais de 21 anos. Os documentos necessários para o registro são os mesmos citados anteriormente.

Quanto custa?
A certidão de nascimento é um direito de todo cidadão brasileiro e por isso o documento é emitido gratuitamente nos cartórios. No caso de segunda via do documento, poderá haver cobrança. Se o cidadão não puder arcar com os custos, precisará comprovar sua condição com uma declaração de próprio punho ou feita a seu pedido (caso seja analfabeto), assinada também por duas testemunhas.


Adultos e adolescentes sem certidão
Para tirar a certidão de nascimento depois de adulto, você precisa de duas testemunhas conhecidas e de preferência mais velhas. Se os pais estiverem vivos precisarão apresentar o pedido de certidão por escrito, confirmar a paternidade/maternidade e apresentar seus documentos de identidade.
Caso a pessoa seja menor, o pedido deverá ser feito com a Declaração de Nascido Vivo do hospital junto com os documentos de identidade dos pais e ainda a declaração de duas testemunhas conhecidas.


Fonte:
Código Civil
Procuradoria Geral da República
Autoria do texto: http://www.brasil.gov.br



Obtenha mais informações do Portal Brasil em: http://www.brasil.gov.br/sobre/cidadania/documentacao/certidao-de-nascimento
Bandeira Nacional nós te amamos!

A linda Bandeira Brasileira é o símbolo da nossa Pátria, razão porque merece todo nosso amor e o mais profundo respeito. Desde 19 de novembro de 1889, dias após a Proclamação da República, quando ela foi oficializada, lhe rendemos por todo Brasil homenagens especiais. A Bandeira Nacional está permanentemente hasteada no mastro da Praça dos Três Poderes em Brasília, no Distrito Federal, como símbolo perpétuo. Tremulando e vibrando ao vento... Enviando para toda a nação brasileira, a cada novo amanhecer, mensagens renovadas de alegria, força, união, paz, ordem e progresso.



Bandeira Nacional - Brasília- Batalhão da Guarda Presidencial participa de solenidade de troca da Bandeira, na Praça dos Três Poderes, coordenada pelo Comando do Exército
Dia da Bandeira Nacional - 19 de novembro






http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/datas/bandeira/home.html

A bandeira é um símbolo. Ela pode representar um time de futebol, uma instituição, um grupo étnico-cultural, enfim, são várias as idéias que podem ser expressas através de uma bandeira. Seu significado é tão forte, que todos os países possuem sua própria bandeira, aquela que representa a nação e que, por isso, deve ser respeitada. A atual bandeira do Brasil foi instituída quatro dias depois da Proclamação da República. Por conta disso, no Brasil, comemoramos o Dia da Bandeira em 19 de novembro. Parabéns, Bandeira do Brasil, pelo seu dia.

As estrelas hoje

Sabemos que para cada estrela de nossa bandeira corresponde um estado brasileiro. Com a criação de novos estados no país, se estabeleceu uma dúvida: continuaria a correspondência? Conforme a Lei número 5.700, de 1º de setembro de 1971, essa correlação não existiria mais. Uma outra lei, no entanto, número 8.421, de 11 de maio de 1992, retificou a anterior, através da seguinte comunicação: a bandeira nacional deve ser atualizada sempre que algum estado da federação for criado ou extinto; os novos estados serão representados por novas estrelas, a serem incluídas, sem que afete a disposição estética original do desenho da primeira bandeira republicana; as que forem correspondentes a estados extintos serão retiradas, permanecendo aquela que represente um novo estado mediante a fusão.
Nessa lei de 1992 consta ainda um anexo, trazendo uma lista dos estados e sua respectiva relação com as estrelas. A informação, portanto, de que essa correspondência estelar não existiria mais, deve ter se tratado de um erro de interpretação da lei de 1971.







Ordem e Progresso



A palavra de ordem inscrita em nossa bandeira, trata-se da síntese de um sistema filosófico aceito não só no Brasil, como também na Europa: o positivismo. Os grandes nomes dessa filosofia em nosso país no fim do século XIX eram Benjamin Constant, Demétrio Ribeiro, Teixeira Mendes e Miguel Lemos. Numa visível homenagem a esses cidadãos, convoca os brasileiros para uma arrancada concreta e irreversível pelo desenvolvimento. A significação de ordem não é ditadura, mas sim decisão e visão clara dos problemas, enquanto progresso não indica riqueza para os indolentes, mas meta de ascensão para os homens de valor.
Um dos três únicos casos em que o idioma da pátria em questão aparece na bandeira, possui o seu recanto para o culto coletivo de toda a nação: a Praça dos Três Poderes, em Brasília, onde fica sempre hasteada, tendo na base do mastro as seguintes palavras: "Sob a guarda do povo brasileiro, nesta Praça dos Três Poderes, a bandeira sempre no alto, a visão permanente da pátria".

As cores
As primeiras bandeiras da história do homem costumavam representar um grupo sócio-cultural através da imagem de um animal, de um vegetal ou objeto. Com o tempo é que as cores passaram a ter também um significado importante, principalmente após a Revolução Francesa, quando passaram a exprimir a nacionalidade, independente de existirem ou não figuras ou emblemas na estampa.
Antigamente, a escolha das cores se dava de forma arbitrária. Hoje em dia, estão relacionadas a fatores religiosos e políticos. A cor vermelha, por exemplo, é geralmente associada a movimentos revolucionários.
No caso da bandeira brasileira, o verde traria à lembrança o primeiro objeto que funcionou como bandeira: os ramos arrancados das árvores pelos homens primitivos em atitude espontânea de alegria. O verde nos remeteria ainda à nossa filiação com a França, à juvenilidade do país e ao imenso mar, literariamente verde nos escritos de José de Alencar.
O amarelo, por sua vez, representaria nossa riqueza mineral e a aventura dos bandeirantes à procura do ouro. De maneira poética, nos levaria à imagem do sol, astro que nos garante condições essenciais de sobrevivência.
Numa homenagem à Nossa Senhora, padroeira de Portugal e do Brasil, o azul, ao lado da cor branca, nos colocaria no esquema bandeirológico latino-americano, onde predominam essas duas cores: azul e branca.
E finalmente o branco. Traduzindo nossos desejos de paz, nos inclui nas filosofias que enxergam Deus como plenitude do ser e do poder, assim como o branco é a plenitude das cores.
Fonte: COIMBRA, Olavo Raimundo. A Bandeira do Brasil: raízes histórico-culturais. Rio de Janeiro: Fundação IBGE, 1972.

Autoria do texto: IBGE Tenn
Saiba tudo sobre a Bandeira Nacional e muitos outros temas interessantes em: http://www.ibge.gov.br/ibgeteen

18 novembro, 2011

Dia do conselheiro tutelar - 18/11 - Parabéns a todos os conselheiros do Brasil!






O Conselho Tutelar é um órgão autônomo, encarregado de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente", conforme disposto no Estatuto da Criança e do Adolescente, artigo 131. Com base na Lei, cada Município deverá ter, pelo menos, um Conselho Tutelar, composto por cinco membros com mandato de três anos. O processo de escolha pela comunidade é de responsabilidade do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, sob fiscalização do Ministério Público.

Além dos conselheiros, que atuam diretamente, há uma Comissão de Ética, encarregada de analisar casos e denúncias, que podem ser enviados, pelo correio, à Rua Afonso Cavalcanti 455/695, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente(CMDCA). O reclamante deve relatar o assunto e, se houver, anexar documentos e indicar testemunhas. O telefone para contato com a Comissão de Ética dos Conselhos Tutelares do Município do Rio de Janeiro é 2976-2993/2976-4253

Ao todo, a Cidade dispõe de 10 Conselhos Tutelares, com áreas de atuação específicas, funcionando de 2ª a 6ª feira, das 9h às 18h. Nos fins de semana, os contatos com os conselheiros podem ser feitos através de celular.

Endereços dos Conselhos Tutelares no Rio de Janeiro:

. 1ª CAS
Conselho Tutelar 01 - Centro
End.: Rua do Acre, 42. Sobrado - Centro.
Tel.: 2213-3085/ 2233-3166 / 8909-1445

. 2ª CAS
Conselho Tutelar 02 - Zona Sul
End.: Rua São Salvador, 56, Laranjeiras
Tel.: 2554-8295/ 2551-5143 / 8909-1469


Conselho Tutelar 03 - Vila Isabel
End.: Rua Desembargador Isidro, 48 - Tijuca
Tel.: 2288-9742 / 2214-3480 / 8909-1474

. 3ª CAS
Conselho Tutelar 04 - Méier
End.: Rua Dr. Leal, 706, 1º andar - Engenho de Dentro
Tel: 2593-7750 / 2593-7648 / 8909-1433

. 4ª CAS
Conselho Tutelar 05 - Ramos
End.: Rua Professor Lacê, 57. Ramos.
Tel.: 2573-0132 /2573-8715/ 8909-1457

. 5ª / 6ª CAS
Conselho Tutelar 06 - Madureira.
End.: Rua Capitão Aliatar Martins, 211. Irajá.
Tel.: 2482-3621 / 2482-3678 / 8909-1447

. 7ª CAS
Conselho Tutelar 07 - Jacarepaguá
End.: Estrada Rodrigues Caldas, 3.400 / sl. 20 / Prédio da Adm.
- Colônia Juliano Moreira - Taquara.
Tel.: 3347-3238 /3347-3291 / 8909-1444

. 8ª CAS
Conselho Tutelar 08 - Bangú
End.: Rua Silva Cardoso, 349 salas 8 e 9 Bangú
Tel.: 3332-0095/ 3159-9683 / 8909-1455

. 9ª CAS
Conselho Tutelar 09 - Campo Grande
Rua Tendi, 54, Centro - Campo Grande
Tel: 3394-2447/3394-2896/ 8909-1428

. 10ª CAS
Conselho Tutelar 10 - Santa Cruz
End.: Rua Lopes de Moura, 58 - Santa Cruz
Tel.: 3395-0988 / 3395-2623 /8909-1440


Autoria do texto: http://www.rio.rj.gov.br

SÃO ATRIBUIÇÕES DO CONSELHO TUTELAR, CONFORME O DISPOSTO NO ARTIGO 136 DA LEI FEDERAL Nº 8.069/90, ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE- ECA:



I. Atender Crianças e Adolescentes nas hipóteses previstas nos arts. 98 e 105 da Lei Federal nº 8.069/90, aplicando as medidas previstas no art. 101, do mesmo diploma legal.
II. Atender e aconselhar os pais ou responsáveis, aplicando as medidas previstas no artigo 129, I a VII, da Lei Federal nº 8.069/90;
III. Promover a execução de suas decisões, podendo para tanto:
a. Requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, serviço social, previdência, trabalho e segurança; e
b. Representar junto à autoridade judicial nos casos de descumprimento injustificado de suas deliberações;
IV. Encaminhar ao Ministério Público notícias de fato que constitua infração administrativa ou penal contra os direitos da criança ou adolescente;
V. Encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência;
VI. Providenciar a medida estabelecida pela autoridade judiciária, dentre as previstas no artigo 101; I a VI; da Lei federal nº 8.069/90, para o adolescente autor de ato infracional;
VII. Expedir notificações;
VIII. Requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou adolescente quando necessário;
IX. Assessorar o Poder Executivo na elaboração da Proposta Orçamentária para planos e Programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente;
X. Fiscalizar as entidades governamentais e não governamentais, na forma do disposto no art. 95, da Lei Federal nº 8.069/90;
XI. Representar, em nome da pessoa e da família, contra a violação dos direitos previstos no art. 220, § 3º, II. da Constituição Federal;
XII. Representar ao Ministério Público, para efeito das ações de perda ou suspensão do pátrio poder;
XIII. Representar ao Poder Judiciário visando à apuração de irregularidades de entidade governamental e não governamental de atendimento, nos termos do disposto no art. 191, da Lei Federal nº 8.069/90 ; e
XIV. Representar ao Poder Judiciário visando à imposição de penalidade administrativa, por infração às normas de proteção à criança e ao adolescente, nos termos do disposto no art.194, da Lei Federal nº 8.069/90

Art. 5º Nos termos do art. 98 do ECA, as mediadas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos na legislação vigente, a cerca dos direitos da criança e do adolescente forem ameaçados ou violados :
I. Por ação ou omissão da sociedade ou do Estado;
II. Por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsáveis, ou
III. Em razão de sua conduta

Fonte: http://www.rio.rj.gov.br

O ato que instituiu 2011 como o Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes ocorreu em dezembro passado, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque. E marcou a retomada das resoluções da III Conferência Mundial sobre Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, realizada há dez anos, na cidade de Durban, África do Sul.
Um dos signatários do documento que selou o pacto da comunidade internacional pelo fim do racismo, o Brasil reiterou o compromisso firmado nas conferências regionais de 2006 e 2008, quando foram avaliados os avanços e desafios da implementação do Plano de Ação de Durban na América Latina e Caribe; e na conferência de Revisão de Durban, ocorrida em Genebra, em 2009.
Dentre os mecanismos estruturados pelo Estado brasileiro para combater a discriminação racial e promover a inclusão e o desenvolvimento da população negra no País destacam-se a criação da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e a sanção da Lei 12.228, de 2010, conhecida como Estatuto da Igualdade Racial.

Autoria do texto: http://www.palmares.gov.br/?p=11262
Estatuto da Igualdade Racial


Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

Institui o Estatuto da Igualdade Racial; altera as Leis nos 7.716, de 5 de janeiro de 1989, 9.029, de 13 de abril de 1995, 7.347, de 24 de julho de 1985, e 10.778, de 24 de novembro de 2003.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
TÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Art. 1o Esta Lei institui o Estatuto da Igualdade Racial, destinado a garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica.
Parágrafo único. Para efeito deste Estatuto, considera-se:
I – discriminação racial ou étnico-racial: toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por objeto anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em igualdade de condições, de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro campo da vida pública ou privada;
II – desigualdade racial: toda situação injustificada de diferenciação de acesso e fruição de bens, serviços e oportunidades, nas esferas pública e privada, em virtude de raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica;
III – desigualdade de gênero e raça: assimetria existente no âmbito da sociedade que acentua a distância social entre mulheres negras e os demais segmentos sociais;
IV – população negra: o conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas, conforme o quesito cor ou raça usado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou que adotam autodefinição análoga;
V – políticas públicas: as ações, iniciativas e programas adotados pelo Estado no
cumprimento de suas atribuições institucionais;
VI – ações afirmativas: os programas e medidas especiais adotados pelo Estado e pelainiciativa privada para a correção das desigualdades raciais e para a promoção da igualdade de oportunidades.
Art. 2o É dever do Estado e da sociedade garantir a igualdade de oportunidades, reconhecendo a todo cidadão brasileiro, independentemente da etnia ou da cor da pele, o direito à participação na comunidade, especialmente nas atividades políticas, econômicas, empresariais, educacionais, culturais e esportivas, defendendo sua dignidade e seus valores religiosos e culturais.
Art. 3o Além das normas constitucionais relativas aos princípios fundamentais, aos direitos e garantias fundamentais e aos direitos sociais, econômicos e culturais, o Estatuto da Igualdade Racial adota como diretriz político-jurídica a inclusão das vítimas de desigualdade étnico-racial, a valorização da igualdade étnica e o fortalecimento da identidade nacional brasileira.
Art. 4o A participação da população negra, em condição de igualdade de oportunidade, na vida econômica, social, política e cultural do País será promovida, prioritariamente, por meio de:
I – inclusão nas políticas públicas de desenvolvimento econômico e social;
II – adoção de medidas, programas e políticas de ação afirmativa;
III – modificação das estruturas institucionais do Estado para o adequado enfrentamento e a superação das desigualdades étnicas decorrentes do preconceito e da discriminação étnica;
IV – promoção de ajustes normativos para aperfeiçoar o combate à discriminação étnica e às desigualdades étnicas em todas as suas manifestações individuais, institucionais e estruturais;
V – eliminação dos obstáculos históricos, socioculturais e institucionais que impedem a representação da diversidade étnica nas esferas pública e privada;
VI – estímulo, apoio e fortalecimento de iniciativas oriundas da sociedade civil direcionadas à promoção da igualdade de oportunidades e ao combate às desigualdades étnicas, inclusive mediante a implementação de incentivos e critérios de condicionamento e prioridade no acesso aos recursos públicos;
VII – implementação de programas de ação afirmativa destinados ao enfrentamento das desigualdades étnicas no tocante à educação, cultura, esporte e lazer, saúde, segurança, trabalho, moradia, meios de comunicação de massa, financiamentos públicos, acesso à terra, à Justiça, e outros.
Parágrafo único. Os programas de ação afirmativa constituir-se-ão em políticas públicas destinadas a reparar as distorções e desigualdades sociais e demais práticas discriminatórias adotadas, nas esferas pública e privada, durante o processo de formação social do País.
Art. 5o Para a consecução dos objetivos desta Lei, é instituído o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), conforme estabelecido no Título III.


Fonte do texto: Veja o Estatuto da Igualdade Racial completo e outras importantes informações sobre direitos, promoção e preservação da cultura afro- brasiliera em http://www.palmares.gov.br/?p=11177



Fundação Cultural Palmareshttp://www.palmares.gov.br/?p=11177

Criada em 1988, a Fundação Cultural Palmares é uma instituição pública vinculada ao Ministério da Cultura que tem a finalidade de promover e preservar a cultura afro-brasileira. Preocupada com a igualdade racial e com a valorização das manifestações de matriz africana, a Palmares formula e implanta políticas públicas que potencializam a participação da população negra brasileira nos processos de desenvolvimento do País.
Fruto do movimento negro brasileiro, a Fundação Cultural Palmares foi o primeiro órgão federal criado para promover a preservação, a proteção e a disseminação da cultura negra. Em seu planejamento estratégico, a instituição reconhece como valores fundamentais:
•COMPROMETIMENTO com o combate ao racismo, a promoção da igualdade, a valorização, difusão e preservação da cultura negra;
•CIDADANIA no exercício dos direitos e garantias individuais e coletivas da população negra em suas manifestações culturais;
•DIVERSIDADE, no reconhecimento e respeito às identidades culturais do povo brasileiro.
Tornar-se referência nacional e internacional na formulação e execução de políticas públicas da cultura negra é uma das principais metas da Palmares, que atua em três eixos fundamentais para promover a inclusão da população afro-brasileira no rol de diretos previsto pela Constituição: o social e o artístico, e o de gestão da informação. Para guiar as três linhas macro de trabalho, criadas três estruturas administrativas: O Departamento de Proteção ao Patrimônio Afro-brasileiro (DPA); O Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-brasileira (DEP); e o Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra (CNIRC).

PATRIMÔNIO MATERIAL E IMATERIAL. A Palmares é responsável pela preservação do patrimônio cultural material e imaterial afro-brasileiros. Mas, para compreender o que isso significa, é necessário entender o conceito de cada um.
Patrimônio material são os bens culturais físicos, que podem ser acessados ou visitados. Segundo sua natureza, podem classificados em quatro grandes grupos:

a)arqueológico, paisagístico e etnográfico;
b) histórico;
c) belas artes;
d) artes aplicadas

Estes quatro grandes grupos estão divididos em bens imóveis (núcleos urbanos e sítios arqueológicos, por exemplo) e móveis (coleções arqueológicas, acervos museológicos, documentais, bibliográficos, arquivísticos, videográficos, fotográficos e cinematográficos).
Já o patrimônio cultural imaterial é definido pela Unesco como “as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas e também os instrumentos, objetos, artefatos e lugares que lhes são associados e as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos que se reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural”.
É transmitido de geração a geração e constantemente recriado pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade. Ou seja, por suas características, em muitos casos, abstratas, é de classificação mais difícil. Contudo, representa com maior fidedignidade sua comunidade de origem.

No Brasil, o órgão responsável pelo tombamento de bens culturais e pela proteção do patrimônio cultural material e imaterial é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). À Fundação Cultural Palmares cabe a responsabilidade pelas ações relacionadas aos bens culturais afro-brasileiros, propondo e apoiando programas e projetos de valorização e proteção dos mesmos.
Hoje, existem 16 bens culturais imateriais registrados no País, alguns deles protegidos, também, pela Palmares, como as baianas de acarajé, na Bahia, as matrizes do samba carioca e a capoeira. Entre os muitos bens materiais afro-brasileiros, destaca-se a Serra da Barriga, em União dos Palmares (AL), onde se encontra o Parque Memorial Quilombo dos Palmares. A Fundação coordenou a revitalização do local e apoia as celebrações pelo Dia Nacional da Consciência Negra que lá ocorrem.

DEPARTAMENTO DE PROTEÇÃO AO PATRIMÔNIO AFRO-BRASILEIRO (DPA). É o setor responsável pela preservação dos bens culturais móveis e imóveis de matriz africana, sejam eles registrados no Iphan ou não. Uma das mais importantes ações do DPA é a certificação de áreas quilombolas – documento expedido pela Fundação após receber um pedido das comunidades, se autorreconhecendo como remanescentes de quilombos.

DEPARTAMENTO DE FOMENTO E PROMOÇÃO DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA (DEP). A Palmares realiza, com freqüência, eventos e editais com o propósito de fortalecer, valorizar, preservar e difundir a produção cultural afro-brasileira no País e no exterior. O Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-Brasileira (DEP) é o responsável por este bloco de ações. Dentre suas várias atribuições estão o planejamento, a operacionalização e o gerenciamento da política de editais.

CENTRO NACIONAL DE INFORMAÇÃO E REFERÊNCIA DA CULTURA NEGRA (CNIRC). Este núcleo apoia a produção e a disseminação de informações qualificadas sobre a cultura afro-brasileira. Para isso, desenvolve e acompanha atividades de estudo e pesquisa, mapeando, sistematizando, atualizando e disponibilizando informações, registros e cadastros nacionais sobre o tema. Mantém, ainda, o acervo da biblioteca da Palmares, composto por livros, filmes, documentos e imagens.


Autoria do texto: http://www.palmares.gov.br/

17 novembro, 2011

Telha de Vidro- Poema de Rachel de Queiroz

Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...

A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...
Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que — coitados — tão velhos
só hoje é que conhecem a luz do dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.
Que linda camarinha! Era tão feia!
— Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você na experimenta?
A moça foi tão bem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!